Fotógrafo brasileiro é voluntário em Moçambique e registra situação pós ciclone

Brasileiros ajudam as cidades africanas a se reconstruírem após catástrofe

    Depois da catástrofe que atingiu Moçambique e regiões, no começo do mês de março (14), brasileiros se mobilizaram para viajar até as regiões atingidas para servir aqueles que perderam suas casas e familiares para o ciclone. Com a destruição e fome por toda a parte, e as doações possuindo dificuldade para chegar até as regiões ou até mesmo sendo furtadas, os voluntários estão ajudando como podem para reconstruir a cidade que foi devastada pelo ciclone. 

    Henrique Schmeil, fotógrafo brasileiro, quando viu a notícia, havia acabado de voltar da Romênia de um trabalho e não pensou duas vezes ao comprar uma passagem para ir de encontro ao país que já havia visitado antes e possuía um carinho muito grande.

    Henrique têm compartilhado toda sua viagem missionária em seu Instagram. Com postagens diárias mostrando o dia a dia da comunidade, o fotógrafo já se encontra há 6 dias sem banho, trabalhando mais de 12 horas por dia ajudando na reconstrução das casas na região de Beira. Em seus stories, compartilha o processo desde o recebimento das doações, transporte até as vilas e finalização das residências. Um dos recebimentos são chapas de metal, que serão utilizadas como telhado nas novas casas, e são carregadas por quatro quilômetros pelas mulheres da vila. Além dos 16 quilos de casa chapa, que em grande maioria nunca são transportadas em unidade, carregam também seus filhos juntos aos seus corpos em slings durante essa distância. Elas são a maior parte da mão de obra do país, explica o fotógrafo.



Em seu Instagram, Henrique lançou uma campanha de crowdfunding para arrecadar 12 mil reais para a compra de mais materiais. Existem resgates do mundo inteiro ajudando e trazendo comida, mas percebeu-se que as casas que estavam sendo construídas não possuíam teto e notou-se a necessidade de arrecadar recursos para esta finalidade. Por onde o ciclone passou e destruiu, as casas estão sendo reconstruídas com barro e estruturas de madeira. A meta foi alcançada em menos de 24 horas e agora o dinheiro que exceder o objetivo vai ser destinado a outros materiais. 

    Casas, escolas, empresas, com tudo completamente destruído, a população ainda arranja entre os escombros muitas razões para ser feliz. Entre um carregamento e outro, Henrique utiliza do tempo do intervalo nos trabalhos para fotografar as mulheres e crianças, em uma tentativa de trazer auto estima e empoderamento em um cenário catastrófico.

    Em um dos vídeos postados, Henrique mostra em meio a destruição uma casa intacta, ainda com o telhado, sem nenhuma danificação. Em sua parede está escrito "Jesus", o dono da casa, afirma "Esta casa não foi derrubada porque tem Jesus na porta". 

Durante a missão do fotógrafo arrecadou em 3 dias recursos o suficiente para auxiliar 200 famílias. A cada 15 reais doados, uma chapa de metal era comprada. Com 180 reais uma família inteira era abençoada com um telhado completo. No fim de sua viagem, Henrique postou em seu Instagram: 


    "3 dias e vocês conseguiram arrecadar um telhado para uma comunidade inteira. 200 famílias que estavam dormindo ao céu aberto. 200 famílias que após perderem tudo pelo ciclone estavam tendo seus alimentos molhados pelo chuva. 200 famílias que estavam sendo atacadas pelos mosquitos da malária, dengue e febre amarela durante a noite. 200 famílias que estavam sem teto por 20 dias após o ciclone. Hoje, essas famílias dormem aliviadas sem medo de uma possível chuva. Hoje, essas famílias dormem com um sorriso estampado no rosto por estarem protegidos. Hoje, essas famílias têm finalmente esperança de poder recomeçar uma vida após um ciclone que destruiu tudo. Isso tudo graças a vocês que doaram, compartilharam, apoiaram ou apenas mandaram energia positiva para essa causa. Eu agradeço cada um de vocês por terem feito o que ninguém está fazendo por essas pessoas. A gente não consegue ajudar as milhões de pessoas que foram afetadas pelo ciclone, mas pelo menos hoje, 200 famílias podem recomeçar suas vidas."